30
de
novembro
Retorno

Casa brasileira. Foto: Ladyce West
Um lago sereno: águas escuras refletem nuvens do céu.
Não há sons, nesta brilhante manhã.
É fim de primavera, dezembro bate à porta.
Me deixo cair absorta, examinando o local.
Mais cedo, uma algazarra interrompera esta paz sensual.
Um bando de maracanãs, cortara o céu por segundos,
Papagueando, fervilhando, virando o mundo,
Até se acomodar, mais longe nos buritis do horizonte.
Fez-se então silêncio. Absoluto.
Cerro os olhos e devaneio,
Rendida pela letargia da alta manhã.
De encontro a um tronco, recosto e deito.
Descalça, quero sentir o solo, a terra.
Abro os braços, enlevada e me entrego,
Tateio pedrinhas, grama, folhas secas.
Comungo com o meu mundo em enlace núbil.
Ouço o zumbido de insetos,
Formigas exploram meu pé,
Há um vago perfume de goiabas no ar.
A volta à terra natal é sestrosa e prazerosa.
Tudo se relaxa e encontra um lugar
No meu quebra-cabeças pessoal de emoções.
Saudades são, às vezes, indefiníveis:
Um cheiro de fruta, o grito da araponga,
A manta do sol que esquenta e enleia.
A sombra da mangueira, um cheiro de capim tropical.
Estou em casa, afinal!
© 2006, Ladyce West, Rio de Janeiro.









