31
de
dezembro
Balanço Final

Último Julgamento [detalhe]
Afresco, circa 1335
Monastério do Decani.
Kosovo, Sérvia
Hora de balanço, das reflexões.
Não quero listar os melhores momentos,
Do ano, da década, do início do século.
Nem os melhores livros, filmes, exibições;
Nem as grandes revelações científicas,
Arqueológicas, teatrais ou de tv.
Preciso, sim, de me fechar numa sala de espelhos,
E me ver refletida repetidamente, infinitamente
E como num parque de diversões, perceber as distorções,
Aberrações, abominações, contradições em que me insiro.
Para que eu possa admitir, incluir, descobrir, digerir
Os ângulos, do que disse, do que escrevi, do que fiz,
As conseqüências dos meus atos,
Nos entreatos, nos momentos de ócio,
Um conceito quase desconhecido
Nesta vida polivalente, poliédrica, policiada,
Polimoral e poliética de 2006.
Examinar no microscópio da consciência
O que não fiz, onde falhei, as oclusões do meu texto,
Em contrapartida ao contexto geral.
É hora de colocar na balança
As minhas ações públicas ou privadas,
Apesar deste conceito já estar ultrapassado.
Derrotado. Superado há muito, como sabemos.
O Admirável Mundo Novo já está aqui. É agora.
Planos para o próximo ano: não os faço.
Depois de delineados estarão destinados ao fracasso.
Porque, por mais que eu queira controlar os meus passos,
O imprevisto, o surpreendente, o extraordinário interfere.
Graças a Deus! Senão seria tudo muito chato, previsível,
Esperado, conjeturado, pressentido, prenunciado.
E a magia do acidental, do casual, do fortuito seria impensável.
Não aposto em cassinos, não é o meu hábito.
Mas prefiro que o ano que entra se mostre devagarinho,
Cheio de imprevisíveis amores, de inesperadas surpresas,
De repentinas tempestades, e de incalculáveis possibilidades.
Que os irmãos gêmeos, Sorte e Azar possam nos surpreender.
Saberemos então que estamos vivos, fortes, vigilantes e atentos,
E que o mundo dos robôs humanos, dos clones pensantes,
Ainda pertence só ao mundo da imaginação humana!
Dez 2006
Que 2007 traga muitas surpresas para todos nós!
© Ladyce West, 2006, Rio de Janeiro












