18
de
fevereiro
Carnaval e Second Life

Foto: Ladyce West.
Não consigo prever o futuro.
Quando em apuros,
Não jogo cartas, nem búzios.
Não recebo mensagens do além,
De ninguém.
Não sou futuróloga, nem parapsicóloga.
Na bolsa de ações não palpito uma alta:
O conhecimento de empresas ainda me falta.
Tampouco na bolsa de futuros faço dinheiro,
Informação intramuros pode e dá cativeiro.
Mas como em terra de cegos
quem tem um olho é rei;
Hoje, me perguntei:
O que irá acontecer com o Carnaval
Aqui do lado austral do planeta,
Depois de Second Life?
Que interesse terá alguém, no futuro,
De vestir a baiana, a jardineira, o tirolês?
Que sonho ainda precisará sonhar?
Não haverá mais papel para atuar.
Nem por dinheiro, se durante o ano inteiro,
Teve a oportunidade de representar,
A arbitrariedade de escolher,
A comodidade de agir,
A credulidade incólume
De uma vida diferente,
Consistente, envolvente.
Uma vida sobressalente.
A famosa segunda chance
Que não bate duas vezes à mesma porta.
Para que servirá o Carnaval, se existir durante o ano,
A oportunidade singular de se ter ao alcance,
Muito além do que oferece o cotidiano?
Num único lugar: performance e romance.
Será que a fantasia do Carnaval
Perderá seu papel principal
No imaginário brasileiro?
Perderemos o hábito por inteiro?
De sermos por três dias aquilo que não somos:
Membros da Corte da escola de samba e Rei Momo.
A fantasia coletiva, transformativa, transgressiva
Deixará de ser subversiva, televisiva, substantiva.
[17/02/2007 Sábado de Carnaval]
© Ladyce West, 2007, Rio de Janeiro.


