29
de
abril
Op arte

Victor Vasarely, Ambigu- B, 1970
A tristeza do adeus eterno
Que lhe dou a cada dia de doença,
Se acomoda solitária em meu âmago,
Pela lágrima marejante que não desce;
A que engulo pelos olhos em descrença.
É minha goteira interna sem conserto,
Que longe dos olhos de um bom bombeiro,
Se transforma em gigantesca infiltração.
E na calada, sem que sinta o seu poder,
Me enfraquece, aos poucos e sem rodeios.
Quando noto, o meu caleidoscópio,
De pequenas alegrias em pedaços coloridos,
Perdeu o tom, as cores deslumbrantes,
Que pra sobreviver, remanejo e reajusto,
E que chacoalho, para poder tocar pra frente.
Hoje entendo melhor a op – arte.
Os trabalhos de Halsey e Vasarely.
O mundo dos caquinhos coloridos
Que em turbilhão nos envolvem iludidos
E nos levam rodopiantes ao futuro.
Hoje os vidrinhos em pedaços reluzentes
Que se espelham na minha luneta mágica,
Colorindo o dia a dia de esperança,
Andam apagados, desbotados, amarelados.
De Cinemascope voltei ao preto e branco.
© Ladyce West, Rio de Janeiro, 2007

