23
de
novembro
Gugu

Enfaixaram minha mão esquerda.
Com desvelo.
Dos dedos ao cotovelo.
No registro,
Proibiram movimento,
Principalmente sinistro.
Duas semanas, sub-humanas.
Até sararem os ligamentos.
Daí em frente, adestramentos
Para voltar a lembrar dos movimentos.
Fiquei coto na canhota, embalsamada viva.
Braço engessado é símbolo de travessa meninota.
Na minha idade, no entanto, só o silicone
Me ajuda a não parecer velhota.
Por conta de tanta impotência,
De precisar de assistência
No vestir, banhar e pentear,
Lembrei-me ontem do Gugu,
Aquele bebê bonsai adotado por Popeye.
Que, sem pernas ou pés visíveis,
Se arrasta. E entusiasta,
Saboreia os hambúrgueres voadores do Dudu,
Quando e se estes se descolam do teto,
Por completo.
Não gosto de ser Gugu.
Novembro/ 2007
© Ladyce West, Rio de Janeiro, 2007


Comentário por Lucila Casseb Pessoti — 14 de dezembro de 2007 (19:18)
É difÃcil mesmo ser Gugu. Mas há ocasiões que não temos para onde correr. AÃ, exercÃcio de paciência é o que resolve…