13
de
fevereiro
O Mangueiral

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A ilha verde-maduro
Frente ao capim-melado,
Anunciava o mangueiral:
Um escuro manchão largo,
Florão pardo,
Incrustado
Em alcatifa acetinada,
Verdejante,
Bezerrada,
Acantoada nas entranhas
Das montanhas de Vera Cruz.
De perto, o aroma úmido,
Prenhe,
Estagnado.
Pesado e doce,
Apodrido e embriagante,
Chegava com a brisa do campo;
Impregnado
Nas barbas-de-bode –
Sementes pulverizadas ao vento.
Voava.
Era o cheiro das Carlotinhas douradas,
Pintadas —
Rubricas escuras
Nas cascas maduras.
Escondidas, caídas, obscuras,
Semeadas ao léu.
Troféu de morcegos, araras,
Periquitos, passarinhos e micos.
Debaixo das copas cerradas
Ao lado dos troncos torcidos,
O perfume asfixiante.
Ofegante.
Repugnante e fascinante.
E se entranhava nos cabelos,
Nas roupas,
Nas palmas de nossas mãos,
Ao espremer suas polpas.
À moda dos micos macruros,
Também nós, em orgia,
Batendo, chacoalhando os ramos —
Sôfregos —
Íamos colher os ovos dourados,
Os frutos melados.
Comê-los, chupá-los, devorá-los.
Arrancávamos suas peles com os dentes,
Vorazes.
À procura de um espasmo iludente,
Orgasmo nubente
E nutriente.
Só então sentíamos ter chegado à fazenda.
© Ladyce West, 2008, Rio de Janeiro


Comentário por izilda — 14 de fevereiro de 2008 (20:56)
nada como recordar a infância, até mesmo as lambanças
com frutas, que delÃcia. Gostei do poema.
Comentário por LetÃcia — 7 de abril de 2008 (15:13)
Que graça!
Me senti como uma criança e que conhece uma fazenda, pois eu nunca fui em uma!
Beijo
Comentário por LÃgia — 30 de julho de 2009 (11:41)
Lindo!
Tenho uma gravura-foto parecida… só falta o poema.